The Cabin de Jørn Lier Horst

Um policial aborrecido que não surpreende nem entusiasma.

Jørn Lier Horst é, para os fãs de nordic noir, um nome incontornável. Autor de inúmeros livros, este ex-detetive norueguês conseguiu conquistar crítica e público, um feito nem sempre alcançável, especialmente num género tão subvalorizado pelas elites. A única pessoa que Horst não conquistou fui eu que, por várias vezes, ia adormecendo ao ler The Cabin. Sim, é assim tão entediante.

The Cabin é o décimo-terceiro livro da coleção protagonizada pelo inspector William Wisting, personagem afamada que teve já direito a uma adaptação televisiva pela BBC. Neste livro – cuja leitura pode, perfeitamente, ser feita sem recurso aos seus antecessores – Wisting é chamado por uma alta figura norueguesa – o equivalente ao nosso PGR – que o incumbe de uma investigação importante e secreta. Dias antes, o polémico ex-Ministro da Saúde, Bernhard Clausen, morreu de causas naturais. A sua secretária, tratando de todas as diligências consequentes, acabou por encontrar na cabana de férias de Bernhard, uma absurda quantia de dinheiro, cuja proveniência impõe-se conhecer. De alguma forma, vem Wisting a saber, o referido dinheiro está relacionado com o desaparecimento, anos antes, do jovem Simon Meier.

Acredito que lendo a premissa acima exposta, alguns de vocês ficaram tão interessados no livro, como eu fiquei. É diferente e não parece envolver os habituais clichês do género (diga-se crianças/lolitas mortas e/ou sexo). O problema, para mim, foi que esta acabou por ser uma história lenta, demasiado detalhada e com pouquíssimas reviravoltas (ingrediente essencial, para mim, no género). Em momento algum, senti tensão, choque, angústia ou, diga-se, curiosidade. Na verdade, os momentos em que, eventualmente, poderia surgir alguma tensão eram, constantemente, interrompidos com detalhes do quotidiano das personagens, completamente descontextualizados. Por exemplo, a certa altura, uma das personagens está prestes da descobrir dados importantes para a investigação. O leitor sente que o clímax está prestes a surgir quando, de repente, a personagem é interrompida pela filha de 2 anos. A partir daí, o leitor é maçado – não há outra palavra – com detalhes desinteressantes sobre o estado de espírito da criança, a sua alimentação, o que ela está a fazer com as mãos, etc. Acredito que a intenção do Autor fosse boa, mas dei, por mim, várias vezes a bocejar ou revirar os olhos. Estava a ler dois livros em um – um policial e um romance sobre o quotidiano de uma família monoparental.

Sinceramente, acabou por ser um livro neutro que não ofereceu muito. Ao fim de poucos capítulos, já se adivinha o desenlace sendo que as personagens não têm nada de cativante ou, sequer, complexo. São uma família bastante normal e a relação entre pai e filha é só estranha. Em que mundo, um inspector da polícia, encarregue de uma investigação policial relevante, convida a própria filha para trabalhar com ele? No mínimo, isso configura uma situação de claro nepotismo.

Não vou dizer que este foi um caso de total desperdício de dinheiro, porque era um Autor que nem despertava curiosidade. Porém, é, com certeza, autor riscado, de vez, da lista e da estante.

Sobre o livro:

15 years ago, Simon Meier walked out of his house and was never seen again. With no leads, the case quickly ran cold. Until now.  Because one day ago, politician Bernard Clausen died. And in his cabin on the Norwegian coast, police make a shocking discovery. Boxes of bank notes, worth millions of dollars. Collecting dust. Chief Inspector William Wisting thinks it could link to Meier’s disappearance. But solving both cases will mean working with an old adversary, and delving into a dark underworld – which leads closer to home than he could have imagined . . .

Fans of Jo Nesbo and Stieg Larsson will be captivated by this thrilling and atmospheric read from the award-winning Nordic crime writer. In Amazon.com

Sobre o Autor:

Jørn Lier Horst nasceu em Bamble, em 1970. 
Estreou-se na escrita em 2004, com um livro baseado num crime real, e em 2013 abandonou a carreira na polícia para se dedicar à escrita a tempo inteiro.
Distinguido com inúmeros prémios, são de destacar o Prémio dos Livreiros da Noruega 2011, pelo livro Fechada para o Inverno, o Prémio Riverton/ Revólver Dourado 2012 (para melhor romance policial norueguês), o Prémio Chave de Vidro 2013 (para o melhor policial escandinavo) e o Prémio Martin Beck 2014 (da Academia Sueca de Escritores de Policiais), os três atribuídos a Cães de Caça.
Em 2016, O Homem das Cavernas ganhou o Prémio Petrona (para melhor romance policial escandinavo do ano) no Reino Unido.
É ainda autor da coleção juvenil Agência de Detetives nº 2 (Gailivro).
Os seus livros têm a qualidade de agradar tanto ao público como aos críticos, e encontram-se traduzidos em várias línguas, tendo vendido mais de um milhão de exemplares. In Wook.

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