Baratas de Jo Nesbø

Um policial atmosférico que oferece, com propriedade, o que os fãs do género gostam.

Se Stieg Larssen foi responsável por dar a conhecer ao mundo o chamado nordic noir, Jo Nesbø pode ser apontado como o Autor que garantiu que o género não se evaporava das listas de best-sellers mundiais. Através da coleção – que já conta com 12 volumes! – protagonizada pelo detetive Harry Hole, o Autor é um dos mais bem-sucedidos da atualidade.

Tive o meu primeiro e único, até à leitura de Baratas, encontro com o Inspetor Harry Hole, há uns anos atrás, a propósito da adaptação cinematográfica de The Snowman. Li o livro porque queria ver o filme e, no final, acabei por nem o ver. A verdade é que as críticas não foram muito simpáticas e a vontade acabou por se desvanecer. Igualmente, não voltei a pegar num livro do Nesbø o que é estranho, tendo em conta que eu adorei Snowman. Bem, mais vale tarde do que nunca e aproveitando estas edições da Leya a 9,95€, adquiri Baratas numa das minhas inúmeras visitas à Fnac. E ainda bem que o fiz porque, dessa forma, consegui relembrar o quão interessante é a personagem Harry Hole.

Baratas, lançado em 1998, é o segundo volume da coleção de Nesbø protagonizada por Harry Hole. O inspetor norueguês é chamado a resolver um homicídio politicamente sensível. O embaixador norueguês na Tailândia foi encontrado num quarto de motel de beira de estrada com um punhal nas costas. Numa cidade desconhecida e tentando ceder à tentação de se afogar em álcool, Harry procura descobrir o assassino tendo, para isso, que se embrenhar nos lugares mais negros de Banguecoque, capital mundial do tráfico sexual. 

Chocante e negro são os dois adjetivos que me vêm à mente quanto a Baratas. Harry Hole é o típico polícia auto-destrutivo, sarcástico marcado por um passado dúbio – alerta cliché. Dono de um sentido de humor ácido, Harry tem o seu próprio código moral sendo, frequentemente, atormentado por fantasmas do passado, dos quais se destacam a namorada morta. A viagem à Tailândia é, inicialmente, encarada com resignação. Harry sabe que está a ser enviado para uma missão difícil onde o esperado é que ele falhe. Porém, tal como todos os anti-heróis, algo o acorda e, nesse momento, vemos um protagonista focado e abalado emocionalmente com as descobertas que vai fazendo. É esta ambivalência e complexidade que conquista o leitor que se vê atraído, não necessariamente para a investigação, mas para a personagem Harry Hole que rouba, invariavelmente, a cena.

A narrativa de Nesbø é daquelas facilmente devoráveis sendo vários os momentos em que o leitor deixa o queixo cair. O exagero ficcional mistura-se, na perfeição, com a realidade perversa que é a exploração sexual na Tailândia. Adicionalmente, as paisagens, sons, cheiros e sabores de Banguecoque proporcionam uma viagem literária interessantíssima.

Sobre o Livro:

“Com o zumbido do constante e intenso tráfego rodoviário nos ouvidos, Harry mergulha no submundo de Banguecoque, apinhado de clubes noturnos, templos, antros de ópio e anúncios turísticos, numa investigação que ninguém lhe pediu nem deseja.

Nem ele próprio. E, uma vez mais, é vítima dos seus próprios instintos.”

Sobre o Autor:

Nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, economista e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. É hoje um autor de primeiro plano na nova vaga de escritores nórdicos. Em fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional. In Wook.

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2 thoughts on “Baratas de Jo Nesbø

  1. Li “Caçadores de cabeças” há uns anos. Gostei, mas não me impressionou. Aliás pouco me lembro da narrativa. Ficou-me, na cabeça, o final. Foi um desfecho imprevisível. Tenho de voltar a ler mais obras deste escritor para formar uma opinião mais consistente.

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