Rebecca de Daphne du Maurier

Um romance inebriante onde os sonhos se tornam pesadelos e a obsessão impera.

“Last night I dreamt I went to Manderley again”.

E assim tem início um dos romances anglo-saxónicos mais aclamados do último século. Rebecca fala-nos de um homem, duas mulheres e uma casa, sendo que a esta última compete o grande papel narrativo. O próprio livro assim o dita quando a sentencia a um penoso desaparecimento por incêndio condenando, consequentemente, a nossa narradora e o seu marido ao exílio. Este é um romance simultaneamente, melancólico e expansivo. Em 1940, Hitchcock adaptou-o ao cinema e isto é a melhor discrição possível pois nunca um romance serviu tão bem o estilo de um realizador. 

Com laivos de Cinderella, a narradora de Rebecca é uma jovem sem nome, berço ou algo particularmente distintivo. Ainda assim, chama a atenção de Max de Winter, rico viúvo inglês e senhor de Manderley – uma luxuosa casa no interior bucólico de Inglaterra – que, numas férias em Monte Carlo, trava consigo conhecimento. Não obstante a diferença de idades e estatutos sociais, a narradora vê-se, abruptamente, casada com Mr. de Winter assumindo, também ela, o lugar de senhora de Manderley. O idílico cenário esconde, porém, a nefasta presença de Rebecca, a falecida esposa de Max que, para alguns – incluindo a nossa narradora – será sempre a verdadeira Mrs. De Winter.  

Segundo os mais eruditos, Rebecca foi o romance mais difícil de Daphne du Maurier. Há muito que a Autora se sentava a escrever sem conseguir produzir. Talvez por isso, não foi um tão grande choque quando, após a sua publicação, vieram as acusações de plágio. A narrativa era muito similar à de A Sucessora, livro da brasileira Carolina Nabuco que, anos antes, tinha tentado vender a tradução do seu livro à editora que representava du Maurier. Não li A Sucessora e, por isso, não posso concluir estar – ou não – na presença de uma obra plagiada. A ser verdade é uma pena porque Rebecca é um grande romance.

Desde logo, consegue a proeza de ir manipulando o leitor que se vai envolvendo numa trama complexa e repleta de elaboradas traições. Para muitos, é sobre os ciúmes e inseguranças de uma mulher que, na verdade, falhava em se afirmar como tal. Para outros, tal como eu, é um romance atmosférico que oferece personagens negras e uma subtil e inteligente reflexão sobre género, homossexualidade e papéis sociais. Em Rebecca, os sonhos transformam-se em pesadelos, as obsessões destroem vidas e uma casa cheia de segredos parece tão real quanto os seus habitantes, mortos ou vivos.

Sinopse oficial do Livro:

Escrito em 1938, Rebecca é uma obra de fôlego, diversas vezes adaptada ao cinema. Porém, só em 1941, numa versão de Alfred Hitchcock, o filme ganharia protagonismo, chegando mesmo a vencer dois Óscares estando nomeado para nove categorias. Rebecca é um clássico onde os sentimentos adquirem um lugar de destaque. Sentimentos no feminino, já que se trata da história de duas mulheres que se envolvem com o mesmo homem, apenas com uma particularidade: Rebecca está morta. E é o fantasma, embora nunca visível, do seu passado que assombra a nova mulher, agora casada com o nobre britânico e apaixonado de Rebecca. A intriga é assombrosa e ao mesmo tempo envolvente deixando sempre a sensação de que Rebecca é omnipresente. E é com esta imagem antiga que a nova mulher do viúvo Maxim de Winter terá de enfrentar todos os que amavam Rebecca e que a encaram como alguém que veio para lhe roubar o lugar. Rebecca é o romance que celebrizou Daphne du Maurier e que conheceu 28 reedições em quatro anos só na Grã-Bretanha.

Sobre a Autora:

Daphne du Maurier nasceu no seio de uma família proeminentemente artística e literária, em Londres, a 13 de maio de 1907. Publicou os seus primeiros trabalhos na revista Bystander, que resultou num contrato com um agente literário. Em 1931, lançou o romance Apaixonados, o primeiro de mais de duas dezenas que publicaria ao longo da sua carreira. É principalmente reconhecida por duas histórias, Rebecca (1938) e Os Pássaros (1952), ambas adaptadas ao cinema por Alfred Hitchcock. A sua novelística é marcada pela sugestão de elementos sobrenaturais, episódios imbuídos do espírito gótico e raramente com finais felizes. Em 1969, pelo inegável contributo que deu à literatura inglesa, é nomeada dama da Ordem do Império Britânico. Morre em casa, no condado da Cornualha, em 1989. In Wook.

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