The Casebook of Sherlock Holmes & His Last Bow de Arthur Conan Doyle

4/5*

Intrigantes e viciantes, os contos de Conan Doyle conquistam e apaixonam.

Desde a primeira vez que o vi na televisão, sou fã de Sherlock Holmes. Sendo eu fã de cérebros brilhantes, esta personagem sempre me encheu as medidas. Vergonhosamente, porém, nunca tinha conhecido Sherlock pelos olhos do seu criador, Arthur Conan Doyle. Este foi o ano e a escolha foi acertada: os contos desta coletânea são cativantes, divertidos e, claro, muito inteligentes.

The Casebook of Sherlock Holmes & His Last Bow reúne, na primeira parte, as doze últimas aventuras de Mr. Holmes e Dr. Watson e, na segunda, os casos mais dramáticos que lhes passaram pelas mãos. De facto, a coletânea assume, em diferentes momentos, distintos tons o que será justificável à luz das datas/fases da vida que o Autor atravessava. Assim, The Casebook of Sherlock Holmes apresenta-nos narrativas negras com clara inspiração gótica. Por contraposição, His Last Bow dá mote a um conjunto de histórias mais longas, intrincadas e, até, emotivas. Aliás, a título de curiosidade His Last Bow é o único conto de Conan Doyle protagonizado por Sherlock Holmes que conta com um narrador omnipresente. Os restantes são narrados, na sua maioria, por Watson e, algumas exceções, pelo próprio Sherlock que nos oferece um rápido olhar sobre a sua mente.

Sobre os contos:

I. The Casebook of Sherlock Holmes

  • The Illustrious Client – Narrado por Watson. Sherlock Holmes recebe a visita de Sir James Damery que lhe fala de um cliente seu especialmente ilustre (cuja identidade nunca chega a ser divulgada ficando, porém, implicito que se trata do Rei Eduardo VII) que pretende contratar os serviços de Holmes. O detective de Baker Street deverá descortinar as intenções do Barão Gruner, suspeito no homicídio da própria esposa, no seu novo relacionamento com Miss Violet de Merville.
  • The Blanched Soldier – Narrado por Sherlock Holmes. James M. Dodd procura o Detetive para que este o ajude a descobrir o que aconteceu a um amigo seu, há muito desaparecido, Godfrey Emsworth. Dodd e Emsworth serviram juntos, anos antes, na Segunda Guerra dos Bôeres.
  • The Mazarin Stone – Watson chega a Baker Street onde encontra uma efígie de cera de Holmes colocada perto de uma janela, na sala de estar. A efígie produz uma sombra na cortina que, quando vista de fora, é o perfil inconfundível de Sherlock Holmes. Usando este truque visual, Holmes pretende dar um alvo perfeito ao assassino e ladrão de diamantes, Conde Negretto Sylvius.
  • The Sussex Vampire – Holmes recebe uma estranha correspondência com referências a vampiros. No dia seguinte, recebe a visita de Robert Ferguson que pede a sua ajuda num estranho caso. Segundo Robert, a sua segunda esposa peruana tem estado a sugar o sangue do filho bebé de ambos.
  • The Three Garribeds – Holmes recebe uma carta de um tal Nathan Garrideb que lhe pede ajuda numa busca muito peculiar. Ele procura outro homem com o seu apelido invulgar por forma a poder aceder a uma herança de 5 milhões de dólares.
  • Thor Bridge – Neil Gibson, um americano abastado, pede a Holmes que investigue o assassinato da sua esposa Maria, a fim de ilibar a sua governanta, Grace Dunbar, do crime. Logo se revela que o casamento do Sr. Gibson era infeliz e pautado por ofensas mútuas.
  • The Creeping Man – Trevor Bennett procura Sherlock Holmes com um problema muito invulgar. O seu futuro sogro, o aclamado Professor Presbury, tem, desde o seu noivado com a muito jovem Alice Mrphy, apresentado um comportamento bastante errático. Primeiro, o professor saiu de repente de casa durante uma quinzena sem dizer a ninguém para onde ia. Regressou com um ar bastante desgastado, e foi apenas através de uma carta de um amigo enviada ao Sr. Bennett que a família soube que o Professor Presbury tinha estado em Praga.
  • The Lion’s Mane – Holmes está a desfrutar da sua reforma em Sussex quando um dia na praia, conhece Harold Stackhurst, o diretor de uma escola preparatória próxima chamada The Gables. Logo que se conhecem, o professor de ciências de Stackhurst, Fitzroy McPherson, cambaleia até eles, claramente em agonia e vestindo apenas um sobretudo e calças. Desmaia, consegue dizer algo sobre uma “Lion’s mane”, e depois sucumbe. Observa-se que tem vergões vermelhos nas costas, possivelmente administrados por uma arma flexível de algum tipo, pois as marcas curvam sobre o seu ombro e arredondam as suas costelas.
  • The Veiled Lodger – Holmes é visitada pela Sra. Merrilow, uma senhora de South Brixton que tem uma arrendatária invulgar que nunca mostra o seu rosto. Essa mulher, outrora muito calada, começou, recentemente, a praguejar durante a noite, gritando “homicídio, homicídio!” e “Sua besta cruel! Seu monstro!”. Além disso, a sua saúde piorou, e ela está a definhar. A Sra. Merrilow chamou a atenção de Holmes para este caso, a pedido da referida arrendatária.
  • Shoscombe Old Place – O treinador John Mason de Shoscombe Old Place, um estábulo de corrida em Berkshire, procura Holmes por causa do seu mestre, Sir Robert Norberton, que parece ter enlouquecido.
  • The Retired Colourman – Sherlock Holmes é contratado por um comerciante de arte, Josiah Amberley, para investigar o desaparecimento da sua esposa. Aparentemente, ela terá fugido com um vizinho, o Dr. Ray Ernest, levando uma grande quantidade de dinheiro e títulos. Amberley quer que os dois sejam localizados.

II. His Last Bow

  • Wisteria Lodge – Scott Eccles é convidado por um homem de origem hispânica, identificado apenas como Garcia, para passar uma noite em sua casa. Scott acede ao pedido para, na manhã seguinte, acordar numa casa vazia. A princípio, o homem desconfia que Garcia deu um golpe no senhorio, mas ao descobrir que a renda já está paga, percebe que algo mais grave ocorreu. Resolve, por isso, contratar os serviços de Sherlock Holmes.
  • The Cardboard Box – Holmes toma conhecimento, através de um mensageiro de Lestrade, de um caso peculiar. A Srta. Cushing tem quase 50 anos, nunca se casou, e viveu toda a sua vida na mais absoluta calma, até o dia em que recebe uma caixa de papelão com duas orelhas humanas.
  • The Red Circle – A Sra. Warren procura Holmes após receber uma visita estranha: a de um jovem que lhe pediu um quarto, oferecendo uma renda altíssima. Para o efeito, estabeleceu algumas condições extraordinárias.
  • The Bruce-Partington Plans – O aborrecimento de Holmes é interrompido pela visita repentina do seu irmão, Mycroft. O mesmo surge com alguns planos secretos e desaparecidos de submarinos. Sete das dez páginas – três ainda estão desaparecidas – foram encontradas com o corpo de Arthur Cadogan West, um escriturário num escritório governamental no Royal Arsenal, Woolwich, cujo corpo foi encontrado junto aos carris do metro perto da estação de Aldgate, com a cabeça esmagada.
  • The Dying Detective – O Dr. Watson é chamado a tratar Holmes, que aparentemente está a morrer de uma doença tropical rara, a febre Tapanuli, contraída enquanto estava num caso.
  • The Dissapearence of Lady Frances Carfax – Holmes envia o Dr. Watson a Lausanne para investigar o desaparecimento de Lady Frances Carfax, uma vez que ele próprio está demasiado ocupado em Londres. Lady Frances é uma mulher solitária a quem é negada uma herança em virtude do seu sexo. Sendo seu hábito escrever à antiga governanta, Miss Dobney, de duas em duas semanas, Lady Frances tem estado, aos longo das últimas cinco semanas, em absoluto silêncio.
  • The Devil’s Foot – Holmes e o Dr. Watson encontram-se em Poldhu, na Cornualha, de férias. As mesmas acabam por terminar com um acontecimento bizarro. O Sr. Mortimer Tregennis, um cavalheiro local, e o Sr. Roundhay, o vigário local, vêm a Holmes para relatar que os dois irmãos de Tregennis enlouqueceram, e a irmã morreu, em circunstâncias estranhas.
  • His Last Bow – Holmes e Watson envolvem numa intriga militar que envolve o agente alemão Von Bork que se prepara para deixar a Inglaterra com a sua vasta colecção de inteligência, reunida ao longo de um período de quatro anos. Tudo isto se passa nos meses que antecedem à Primeira Guerra Mundial.

O veredicto é claro: os contos de Conan Doyle não deixam o leitor adormecer. O autor é muito engenhoso na forma como constrói as suas tramas tendo, ainda, a vantagem de criar duas personagens carismáticas que, entre as suas investigações, lá nos vão brindando com aquele sentido de humor sagaz de que tanto gostamos. Se tivesse que definir estas histórias com uma só palavra, diria que são enérgicas. Isto porque atraem e envolvem o leitor ao ponto de ele não querer fechar o livro enquanto não souber o seu desfecho, esse momento verdadeiramente apoteótico onde Conan Doyle mostra o seu brilhantismo. Não, nada do que esperávamos era a solução. E que bem que sabe ser enganado por uma boa história!

Não sei se os contos desta edição estão traduzidos em PT. A quem tiver facilidade em ler ENG, aconselho esta coletânea – que vêem na foto – pois, além de ser fácil de transportar, custa só 3,95 €.

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2 thoughts on “The Casebook of Sherlock Holmes & His Last Bow de Arthur Conan Doyle

  1. Também comecei há uns tempos atrás (um ano?) a ler toda a obra de Sherlock Holmes 🕵️‍♂️, mas em Audiobooks. Sei que são uma série de livros, ouvi o primeiro e gostei bastante, mas acho que tem que ser lido (ouvido) intercalado com outras leituras.
    Fiquei com curiosidade com este livro, pequenino, catita e barato ✨ acho que podia ser uma boa oportunidade para ter el livro físico.

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    1. As histórias do Sherlock Holmes devem resultar muito bem em audiobook. Nunca explorei muito o formato, mas atendendo ao tipo de narrativa, talvez lhe dê uma possibilidade. Quanto a esta edição, a mesma é, de facto, muito catita. 😊

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