Da minha visita à Feira do Livro do Porto: livros e reflexões

Não resisti e acabei por visitar a Feira do Livro do Porto!

Não pretendia, de todo, visitar a Feira. A razão é muito simples: não acho que seja suficientemente atrativa para me levar a percorrer quase 50 km em busca de descontos de 20%. Sempre me perguntei o porquê do pessoal da Feira do Livro de Lisboa ter acesso promoções mais apetecíveis, nomeadamente, a tão badalada “Hora H” que permite adquirir livros, lançados há mais de 18 meses, com 50% de desconto entre as 21h00 e as 22h00. A resposta terá que ver, naturalmente, com a organização dos eventos que pertence a entidades distintas. No caso de Lisboa, a Feira é organizada pela APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros) e, no Porto, pela Câmara Municipal do Porto. Ora, como leitora que sou, claro que prefiro uma feira com grandes descontos e até ler um determinado artigo – que vou já partilhar – era muito revoltada com as diferenças entre Lisboa e Porto. Este ano, estava mesmo decidida a não visitar o Palácio de Cristal sendo certo que o Covid também contribuiu aqui no processo. Numa conversa com um “amigo digital”, ele fez o favor de partilhar comigo um artigo do I Online cujo título é: “Feira do Livro. Do armistício literário à guerra comercial” (podem ler aqui) e eu percebi que se gosto de livros, tenho de respeitar e apoiar mais os livreiros.

Sucintamente, até porque o objetivo deste post não é analisar as feiras do livro, a Feira do Livro do porto não tem descontos tão bons como os de Lisboa porque o seu foco está no livreiro. Isto é, um livreiro que queira ter um stand na Feira do Livro de Lisboa, paga uma média de 2.000 euros ao passo que na Feira do Livro do Porto paga um quarto desse valor., numa média de 500 euros. Este ano, para ajudar a crise que se abateu sobre o sector, a Câmara do Porto, exigiu aos participantes que pagassem, antecipadamente, apenas 20% desse valor sendo que o resto foi cobrado no final do evento. Isto faz com que no Porto, estejam representadas bastantes mais livrarias independentes do que em Lisboa e estas, de facto, não se podem dar ao luxo de fazer grandes descontos. Assim, a minha revolta perdeu um bocado o seu sentido (normalmente, o conhecimento tem esse efeito sobre as pessoas). Por essa razão, visitei os lindos jardins do Palácio de Cristal e adquiri um total de oito livros (um número alto para quem dizia que não queria nada).

Estes foram os escolhidos:

  • Nome de Código: Leoparda de Ken Follett

Porque ando com saudades de Follett que me presenteou com livros maravilhosos como Os Pilares da Terra e O Vale dos Cinco Leões (e outros menos bons como O Terceiro Gémeo). Nome de Código: Leoparda tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial e o papel de 50 mulheres no seu desfecho, enquanto agentes dos Aliados. Sinopse aqui.

  • Negras Costas do Tempo de Javier Marías

Porque quero perceber, de uma vez por todas, os meus sentimentos pelo Autor. Não sei absolutamente nada sobre este livro a não ser que se inicia com a seguinte frase:“Creio não ter confundido ainda nunca a ficção com a realidade, embora as tenha misturado mais de uma vez como toda a gente…”. Como se trata de um livro descontinuado, a sinopse não está disponível.

  • Rapaz, Neve, Ave de Helen Oyeyemi

Porque estou muito curiosa relativamente à obra de Helen que tem conquistado leitores por todo o mundo. Considerada uma das melhores jovens escritoras inglesas, Helen escreve muita sobre a sua herança e experiência enquanto mulher negra. Rapaz, Neve, Ave é um retelling do conto da Branca de Neve que aborda temas como a raça e os seus efeitos nas nossas concepções de beleza. Sinopse aqui.

  • Máquinas como Eu de Ian McEwan

Porque li Jardim de Cimento e fiquei absolutamente fascinada com o Ian. Máquinas como Eu é o seu mais recente lançamento (de 2019) e apresenta-nos um mundo distópico com seres humanos sintéticos. Pelo que li sobre o mesmo, é tremendamente provocador. Já agora, pretendo ler todos os livros de Ian McEwan por isso vão ouvir falar muito nele, por aqui! Sinopse aqui.

  • Nas Trevas Exteriores de Cormac McCarthy

Porque o título chamou-me a atenção e já vi muitos fãs de Cormac McCarthy, por aí. Nas Trevas Exteriores revolve a busca de uma mulher pelo filho que teve com o seu irmão reunindo alguns elementos místicos, pelo meio. Não estava na minha “lista”, mas fiquei muito interessada na sua leitura. Sinopse aqui.

  • O Negociador de Frederick Forsyth

Porque li, há vários anos, O Quarto Protocolo do mesmo autor e lembro-me de ter gostado. E, também, porque adoro os livros da editora Livros do Brasil. Tem como palco a Guerra Fria e os planos do dono de uma grande petrolífera de acabar com quaisquer possibilidades de paz plena entre os EUA e a Rússia. Como se trata de um livro descontinuado, a sinopse não está disponível.

  • Cosmopolis de Don Delillo

Porque o grande David Cronenberg realizou a adaptação cinematográfica do livro e a sinopse deixou-me rendida. Uma crítica ao capitalismo. Sinopse aqui.

  • O Vampiro de Curitiba de Dalton Trevisan

Porque ouvi falar de Dalton Trevisan numa conferência, há alguns meses. Foi-me descrito como sendo um dos grandes Autores brasileiros do século XX cujos contos estavam repletos de ironia e crítica social. O meu tipo de leitura. O Vampiro de Curitiba reúne 12 contos que têm em comum o protagonista, Nelsinho. Sinopse aqui.

Que vos parece? Já leram algum destes livros?

Boas Leituras!

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