Trilho da Morte (ou Trilho do Tédio?) de Sara Blaedel

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Estamos no meio de uma floresta dinamarquesa, um grupo de homens reúne-se numa clareira por forma a executar um ritual que, espante-se, envolve relações sexuais com uma mulher que, começando por ser consentidas, depressa se transformam numa agressão sexual. Toda a gente usa vestes e máscara – inspiração manhosa do Eyes Wide Shut de Kubrick que é um grande filme – e alguém mata outrem. Uma das testemunhas é um miúdo de 15 anos que, assustado, esconde-se.

Este é o início de Trilho da Morte, o oitavo livro de Sara Blaedel protagonizado por Louise Rick, uma detetive da polícia dinamarquesa. O que é que me perturbou logo nas primeiras páginas de Trilho da Morte? O facto de repetir a fórmula de Raparigas Esquecidas, livro que o antecede e que marcou o meu primeiro encontro com Sara. Mais uma vez, temos um crime sexual abominável e mais do que sensacionalizado, seja na literatura, no cinema ou na televisão. Parece que aos olhos da Sara, todo o crime tem uma motivação sexual o que apenas serve o propósito dos sociólogos de café que dizem que as gerações atuais são, de facto, obcecadas com sexo. Não me interpretem mal. É sobejamente conhecido que a motivação sexual é muito comum na prática de crimes, mas não é a única possível. As pessoas matam pelas razões mais banais e mundanas. Só que isso não vende.

Enfim, devo confessar que esperava mais originalidade da Sarinha… Se isto é o melhor que a Dinamarca tem para oferecer no género nordic noir, não quero imaginar o pior.

Não é segredo que sou uma fã entusiasta dos thrillers nórdicos. São estimulantes, negros e, geralmente, surpreendentes. Apaixonei-me pelo género com o Stieg Larsson e, desde aí, conheci Autores como as duplas Lars Keppler e Erik Axl Sund ou o profícuo Jo Nesbo. Muito me tenho deleitado com os nórdicos que, para mim, são escolha segura seja para ultrapassar a chamada ressaca literária ou para aconselhar aquele amigo que não lê assim tanto. Ou, pelo menos, eram escolha segura… O Trilho da Morte veio colocar em causa esta minha alegada “certeza literária”.

As razões são várias: a protagonista é aborrecida, os “vilões” parecem aqueles putos da escola que roubam o almoço aos mais pequenos e toda gente está apaixonada. A protagonista e a amiga, de nome Camilla, parecem a Barbie e a Nancy com os respectivos namorados. A certa altura, no meio da investigação, os quatro e respetivos filhos partilham uma casa sendo que à noite, é só amor. Isto até o filho de uma delas ser raptado numa das cenas mais ridículas que eu já li, na vida! O pior é que o livro tinha grande potencial porque a narrativa passa-se na terra natal da protagonista Louise Rick e envolve várias figuras do seu passado que estiveram ligadas ao suicídio do seu namorado Klaus. Confesso que quando iniciei a leitura de Trilho da Morte esperava que a história revolvesse, precisamente, a investigação da morte do Klaus até porque, no final de Raparigas Esquecidas, Louise toma a resolução de fazer as pazes com o seu passado esclarecendo, exatamente, o que se passou com o namorado. Não consigo perceber a necessidade de adicionar um pretexto para levar a Louise à sua terra natal, inventando um crime pouco credível, quando ela já o tinha decidido fazer. Isso apenas gerou confusão ao leitor e não permitiu densificar nenhuma das personagens. Por outro lado, não se percebe como é que em pleno século XXI, ainda são idealizadas pequenas cidades rurais como aquela que serve de fundo ao Trilho da Morte.

Seguramente, posso afirmar que Trilho da Morte é dos livros mais inócuos e previsíveis que li, até hoje. Um conjunto de clichés sem interesse ao qual deram um título pomposo e adicionaram factos relacionados com Deuses nórdicos retirados da Wikipédia.

Aconselho a sua leitura? Não.

Ainda assim, se quiseres ler este livro? Podes comprá-lo aqui (e ajudar o blog a crescer).

Boas Leituras!

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