Porque é que eu adoro Jo Nesbø? The Snowman!

Imagem retirada de http://www.wook.pt

5/5

Muito antes de eu sequer imaginar vir a ter este cantinho chamado Porta Setenta, fui à biblioteca da minha cidade procurar um thriller interessante para as férias. Porque, algum tempo antes, eu havia sido conquistada por Stieg Larsson, acabei na secção dos nórdicos onde me deparei com o fantástico The Snowman (em português: O Boneco de Neve) de Jo Nesbø, um Autor que até então me era desconhecido. Uma rápida pesquisa mostrou-me que Nesbø era jornalista, músico e talvez o Autor norueguês contemporâneo mais internacional. De entre os seus livros, destacava-se a coleção de thrillers protagonizada pelo detetive Harry Hole, misantropo auto-destrutivo, que tinha de investigar os mais macabros crimes. Ora, The Snowman é precisamente o sétimo thriller de Jo Nesbø protagonizado por Harry Hole. Não obstante, desde já vos digo que o mesmo pode ser lido de forma isolada.

Com efeito, The Snowman tem todos os ingredientes necessários a um bom thriller: um protagonista anti-herói complexo; um vilão assustador e original e um número de reviravoltas suficiente para manter o leitor em pulgas. O título Boneco de Neve vem do modus operandi do terrível serial killer que Hole tem de enfrentar. Atacando mulheres com filhos, o psicopata deixa à frente das casas das mesmas um boneco de neve cujos membros são muitas vezes substituídos por partes dos seus corpos. A figura tão apreciada por miúdos e graúdos ganha um novo significado – bastante mais macabro – representando tortura e morte. Enquanto tenta descobrir o rosto por de trás do boneco, Hole lida com as poucas relações interpessoais que mantém: se, por um lado continua apaixonado pela ex-mulher Rakel que, entretanto, seguiu a sua vida; por outro, sente uma inegável atração física pela sua nova colega, Katrine Bratt.

De facto, Harry é tudo menos herói. Várias são as vezes em que o mesmo cede à pressão deixando-se levar pela ansiedade e até medo:

Harry had walked barely a few yards into the forest when he was overtaken by an intense, almost unnatural silence. He shone the flashlight down on the ground in front of him because every time he pointed it into the forest, shadows ran between the trees like jittery spirits in the pitch black. Being isolated from the dark in a bubble of light didn’t give him a sense of security. Quite the opposite. The certainty that he was the most visible object moving through the forest made him feel naked, vulnerable. The branches scraped at his face, like a blind man’s fingers trying to identify a stranger.

E este foi um dos aspetos que eu mais gostei de The Snowman. Harry Hole é uma personagem credível, humana e robusta que complementa, na perfeição, a atmosfera negra e claustrofóbica criada por Nesbø. Atmosfera essa que representa outro ponto alto do livro que nos apresenta Oslo de uma forma quase cinematográfica com várias referências à cultura norueguesa:

“Good stories are never about a string of successes but about spectacular defeats,” Støp had said. “Even though Roald Amundsen won the race to the South Pole, it’s Robert Scott the world outside Norway remembers. None of Napoleon’s victories is remembered like the defeat at Waterloo. Serbia’s national pride is based on the battle against the Turks at Kosovo Polje in 1389, a battle the Serbs lost resoundingly. And look at Jesus! The symbol of the man who is claimed to have triumphed over death ought to be a man standing outside the tomb with his hands in the air. Instead, throughout time Christians have preferred the spectacular defeat: when he was hanging on the cross and close to giving up. Because it’s always the story of the defeat that moves us most.”

Uma review publicada no jornal britânico The Independent diz-nos que “The Snowman is certainly the most disturbing of Nesbø’s books, with a spine-chilling quality that evokes the English master of the macabre, MR James.” . Não tendo li ainda todos os livros do Autor, não posso assegurar que tal seja verdade. Porém, é inegável que Snowman e um thriller procedimental, macabro, bem-construído e que preencherá as medidas dos amantes de livros como a Trilogia Millenium de Stieg Larsson.

“Evil is not a thing. It cannot take possession of you. It’s the opposite; it’s a void, an absence of goodness. The only thing you can be frightened of here is yourself.”

Em Portugal, The Snowman encontra-se traduzido e publicado pela editora Dom Quixote com o título O Boneco de Neve.

Boas Leituras!

PS: Queres ler este livro? Podes comprá-lo aqui (e ajudar o blog a crescer).

2 thoughts on “Porque é que eu adoro Jo Nesbø? The Snowman!

  1. […] Natal, frio, thriller nórdico. Claro que não podia, em bom rigor, preparar esta lista sem incluir um dos meus tão adorados thrillers. Para leitores com mais de 16 anos que gostem de um policial negro, cenas macabras e um serial killer assustador. Harry Hole tornar-se-á uma personagem favorita sendo que o único problema deste livro é que faz parte de uma coleção. Ou seja, a pessoa a quem oferecerem este livro, não vos vai largar! Opinião aqui. […]

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s