O País dos Outros de Leïla Slimani

Conheci a Leïla há uns anos quando me cruzei com Adele, em português No Jardim do Ogre. Foi, salvo o erro, o seu primeiro grande romance cuja leitura me levou 2 dias a concluir. Pela primeira vez, eu via alguém escrever sobre ser uma mulher deprimida, imperfeita e cheia de complexidades no século XXI. Era a primeira grande personagem feminina fascinante que eu viria a conhecer. N’O País dos Outros, Leïla sai da cena doméstica parisiense e leva-nos a Meknes, Marrocos. O contexto deixa de ser a vida alienada contemporânea e passa a ser o fim da colonização francesa daquele país. Mas a mulher carregada de imperfeições, com aspirações, sonhos e muitas vontades continua lá. Chama-se Mathilde e foi inspirada na própria avó de Leïla que é franco-marroquina.

Em 1944, Mathilde abandona a sua casa e família, na Alsácia, para viver com o marido, Amine, em Marrocos, numa quinta que ele herdou do pai e que pretende cultivar e ver dar frutos. Mathilde é alta, loira, branca e não sabe o que é submissão. Amine é baixo, moreno e tem o cabelo crespo. As diferenças físicas nada são comparadas com as diferenças culturais. Mathilde é uma estranha no país de Amine, onde as mulheres usam véus, não decidem o seu futuro e são esbofeteadas até à submissão. Mathilde é a estrangeira, a colonizadora num tão profundamente dividido como a própria mente de Amine que ama a mulher, mas também é leal à sua pátria e religião.

O País dos Outros é uma saga familiar fenomenal. Leïla aborda o multiculturalismo, a colonização, o racismo e a opressão feminina com mestria encantando o leitor com as reflexões mais pertinentes. Tudo se passa nas relações entre um conjunto reduzido de personagens pungentes e bem construídas. Esta é a primeira parte de uma trilogia através da qual a Autora pretende mostrar que é possível construir uma família com diferentes credos. Uma mensagem crucial que ressalta em vários momentos da narrativa. Este é um romance histórico realista, sensual e cheio de tensão.

Dos melhores do ano!

Sinopse:

Conheci a Leïla há uns anos quando me cruzei com Adele, em português No Jardim do Ogre. Foi, salvo o erro, o seu primeiro grande romance cuja leitura me levou 2 dias a concluir. Pela primeira vez, eu via alguém escrever sobre ser uma mulher deprimida, imperfeita e cheia de complexidades no século XXI. Era a primeira grande personagem feminina fascinante que eu viria a conhecer. N’O País dos Outros, Leïla sai da cena doméstica parisiense e leva-nos a Meknes, Marrocos. O contexto deixa de ser a vida alienada contemporânea e passa a ser o fim da colonização francesa daquele país. Mas a mulher carregada de imperfeições, com aspirações, sonhos e muitas vontades continua lá. Chama-se Mathilde e foi inspirada na própria avó de Leïla que é franco-marroquina.

Em 1944, Mathilde abandona a sua casa e família, na Alsácia, para viver com o marido, Amine, em Marrocos, numa quinta que ele herdou do pai e que pretende cultivar e ver dar frutos. Mathilde é alta, loira, branca e não sabe o que é submissão. Amine é baixo, moreno e tem o cabelo crespo. As diferenças físicas nada são comparadas com as diferenças culturais. Mathilde é uma estranha no país de Amine, onde as mulheres usam véus, não decidem o seu futuro e são esbofeteadas até à submissão. Mathilde é a estrangeira, a colonizadora num tão profundamente dividido como a própria mente de Amine que ama a mulher, mas também é leal à sua pátria e religião.

O País dos Outros é uma saga familiar fenomenal. Leïla aborda o multiculturalismo, a colonização, o racismo e a opressão feminina com mestria encantando o leitor com as reflexões mais pertinentes. Tudo se passa nas relações entre um conjunto reduzido de personagens pungentes e bem construídas. Esta é a primeira parte de uma trilogia através da qual a Autora pretende mostrar que é possível construir uma família com diferentes credos. Uma mensagem crucial que ressalta em vários momentos da narrativa. Este é um romance histórico realista, sensual e cheio de tensão. Dos melhores do ano!

“Adolescente, Mathilde nunca imaginara a possibilidade de ser livre sozinha, parecia-lhe inconcebível que o seu destino, enquanto mulher sem estudos, não ficasse intimamente ligado ao de outra pessoa. Apercebera-se do seu erro demasiado tarde e, agora que tinha discernimento e uma certa coragem, tornara-se impossível partir. Os filhos eram as suas raízes e ela estava involuntariamente apegada àquela terra. Sem dinheiro, não tinha para onde ir e essa dependência, essa submissão, matava-a.”

Boas Leituras! 

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