A Casa (Extraordinária) de Emma Becker

@portasetenta

Um poderoso relato ficcionado sobre o mundo da prostituição berlinense. Uma leitura verdadeiramente compulsiva e impactante, muito graças ao domínio narrativo de Emma Becker.

Rating: 5/5

Durante dois anos, Emma Becker, uma jovem escritora francesa, prostitui-se em Berlim trabalhando num bordel ao qual chama casa. A sua experiência deu origem ao romance A Casa, uma partilha poderosa que potencia pertinentes reflexões sobre a mulher e o seu papel na sociedade contemporânea. Este é um compêndio de memórias, pensamentos e perspetivas sobre as várias mulheres com quem a Autora travou conhecimento. A narrativa não é linear o que a torna infinitamente mais interessante. São várias as mulheres que vamos conhecendo n’A Casa. Algumas se repetem, vão ocupando muitas páginas, outras nem tanto, mas todas conquistam, através da Emma, seja com uma palavra, um gesto ou um simples olhar.

Na Alemanha, a prostituição é uma profissão reconhecida e regulada sendo que, nos últimos anos, o país tem procurado proteger cada vez mais a mulher que trabalha nestas condições tendo, inclusive, promulgado uma lei especifica para proteção de mulheres que se prostituem. Nos termos da mesma, tanto os bordéis como as profissionais estão sujeitas a um registo e ao cumprimento de uma série de regras. N’A Casa, Emma conta-nos a sua experiência, primeiro num bordel onde a mulher era vista como um produto e, depois, na dita casa. O romaance é muito visual sendo que cada capítulo inicia-se com uma música. É daqueles que a ser adaptado a uma série ou filme, será espectacular.

De notar ainda o trabalho de tradução da Inês Fraga. Faço esta chamada de atenção porque a linguagem d’A Casa é verdadeiramente impactante e sendo esta uma edição traduzida, tal só foi possível através de um excelente trabalho de tradução que mais do que se limitar a traduzir, captou o espírito e a intenção narrativa de Emma Becker, levando-a, com excelência, ao leitor.

Sinopse:

«Sempre acreditei que escrevia sobre homens. Antes de me aperceber que só escrevo sobre mulheres. Sobre o facto de ser uma. Escrever acerca de prostitutas que são pagas para serem mulheres, que são, de facto, mulheres, que são tão-só isso; escrever sobre a nudez absoluta desta condição é como examinar o meu sexo ao microscópio. Sinto o mesmo fascínio que um laboratorista a contemplar as células essenciais a qualquer forma de vida.»

Em A Casa, Emma Becker descreve a vida no bordel berlinense onde, durante dois anos e meio, sob o pseudónimo de Justine, nome da famosa personagem de Sade, decidiu vender o seu corpo para tentar compreender o mundo da prostituição, as mulheres que nele trabalham e os homens que a ele recorrem.

Retrato da sua vida sexual e amorosa durante esta experiência, das suas companheiras e dos bastidores deste mundo proibido, A Casa é um romance que transborda as paredes do bordel. Mais do que uma história sobre as mulheres desta casa, é sobre o modo como estas veem o mundo, sobre os homens que pagam os seus serviços, sobre os seus desejos, os seus limites, as suas armadilhas, e, acima de tudo, sobre todos os desejos que nos fazem tremer.

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Boas Leituras!

Daniela

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