A Estátua Assassina de Louise Penny: Um exercício nostálgico para fãs da Agatha Christie

@wook

Uma leitura fácil para fãs de Agatha Christie e amantes de policiais atmosféricos que procuram algumas horas de puro entretenimento.

Ano da primeira publicação: 2007

Rating: 3/5

Um dos pontos mais fortes da Feira do Livro do Porto é,  na minha opinião, o stand da Relógio D’Agua. Eles costumam ter aquelas caixinhas com livros a 5 euros e sendo a Relógio D’Água uma das minhas editoras favoritas, confesso que, geralmente, num exercício de plena confiança, compro os livros sem ver, sequer, sinopses ou Autores.

Foi neste contexto que travei me cruzei com A Estátua Assassina de Louise Penny, um lançamento da editora de outubro de 2014. Duas características chamaram a minha atenção: a capa do livro e o título que me transportou para um universo gótico.  Mas se, inicialmente, eu pensei estar perante uma Autora influenciada por Bram Stoker ou Mary Shelley, depressa percebi que estava, na verdade,  em face de uma Autora influenciada por, nada mais, nada menos, do que Agatha Christie, a Rainha do Crime.

À semelhança do que acontece nos policiais de Christie, também Estátua Assassina conta com um herói, um inspector-chefe da polícia de seu nome Armand Gamache que, num exercício injusto de comparação com Poirot, reúne características mais simpáticas do que o mais famoso herói de Christie. Gamache é sensato, um líder-nato, um marido apaixonado e muito empático. Não é, porém, tão brilhante como Poirot, nem tão engraçado ou interessante. O mesmo é protagonista de uma coleção de livros da Louise Penny  constituindo a Estátua Assassina, tradução literal do título original The Murder Stone, o quarto policial dessa mesma coleção.

A trama passa-se num hotel pitoresco, um antigo pavilhão de caça, de seu nome Manoir Bellechaisse localizado algures numa zona remota do Canadá. Foi lá que Gamache passou a sua lua-de-mel com a esposa, 20 anos antes, e é lá que se encontra para celebrar o seu aniversário de casamento. O casal partilha o hotel com a abastada e muito disfuncional família Morrow que se encontra para homenagear o patriarca da família, entretanto falecido, com uma estátua do seu busto. O problema é que ninguém na família Finney parece se gostar e há muitos rancores entre mãe, filhos e irmãos. A tensão vai subindo até atingir o seu clímax com um pérfido homicídio. O inspector Gamache, que todos julgam ser um simples comerciante, é obrigado a interromper as suas férias românticas e a desvendar um crime onde suspeitos não faltam.


Mentiria se dissesse que A Estátua Assassina é um livro extraordinário. É um bom policial, mas não passa disso. Daqueles que se lê facilmente pela trama envolvente, mas que rapidamente se esquece. A Autora, Louise Penny, cria uma atmosfera de suspense interessante à qual alia um cenário silencioso e condições climatéricas adversas. O clima desempenha aqui um grande papel sendo quase que uma personagem ou um encenador que marca o tempo e o tom dos acontecimentos. As personagens são sólidas e servem o propósito. O problema de Estátua Assassina é Gamache e a sua falta de carisma. A Autora bem tenta lhe dar alguma profundidade criando ali um certo conflito familiar, mas não vai além daquilo. Falta-lhe profundidade. Não dececiona, mas também não arrebata.

Sinopse:

Estamos em pleno verão, e a abastada família Finney reúne-se no Manoir Bellechasse para homenagear o falecido pai. Mas, à medida que a temperatura aumenta, antigos segredos e amargas disputas começam a vir à superfície. Quando as ondas de calor se transformam numa poderosa tempestade, um corpo surge no seu rasto.
O inspetor-chefe Gamache, um hóspede em Bellechasse, depara com um edifício repleto de suspeitos. Com o hotel fechado, o assassino não pode escapar. Mas um predador encurralado é sempre muito perigoso…

«Um enredo extremamente hábil… Louise Penny, vencedora do Prémio Arthur Ellis, conta-nos a história duma aldeia franco-canadiana, dos seus habitantes, e de um detetive que, para muitos leitores, se assemelhará a uma versão moderna do famoso Hercule Poirot, de Agatha Christie.» [Publishers Weekly]

Louise Penny recebeu numerosos prémios, dos quais se destacam o Agatha Award, para o melhor romance policial do ano, em quatro anos consecutivos (2007-2010), e o Anthony Award, para dois títulos da série do inspetor-chefe Gamache. Foi também finalista do Edgar Award para melhor romance.

Queres ler este livro? Podes comprá-lo aqui ou requisitar numa biblioteca perto de ti.

Boas Leituras

Daniela


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