Terna (ou Poderosa!) é a Noite de F. Scott Fitzgerald

Publicado em 1934, Terna é a Noite foi considerado pelo próprio Fitzgerald como o seu melhor romance. O mesmo foi escrito numa fase muito conturbada da vida do Autor, pouco depois do internamento da sua esposa, Zelda, num hospital psiquiátrico, alegadamente, diagnosticada com esquizofrenia. Pouco depois, Fitzgerald arrendou uma propriedade e escreveu a história de Dick Diver, um psiquiatra promissor, cuja vida sofre uma reviravolta ao casar com Nicole Warren, uma paciente de um colega seu, diagnosticada com esquizofrenia.


Anos mais tarde, Dick e Nicole vivem em Paris, uma vida luxuosa e aparentemente perfeita, pelo menos, através do olhar superficial de quem, no pós-primeira guerra, vivia sob uma certa noção de carpe diem. O surgimento de uma jovem atriz americana rompe a vida idílica dos Diver e atira Dick numa espiral de auto-destruição.


Como tão frequentemente acontece com os grandes romances, em Terna é a Noite, não é o enredo que apaixona. Este, na verdade, não é assim tão original ou disruptivo já que inúmeros são os romances que detalham a desintegração das relações humanas. Não, o que torna Terna é a Noite num romance poderoso é a forma como Fitzgerald escreve captando, mais uma vez, o espírito de uma época e de uma geração perdida que não acreditava numa Segunda Guerra Mundial e que tinha como modo de vida, o consumismo exacerbado (algo que, de resto, já havia sido retratado no romance O Grande Gatsby). Atrás do glamour de uma Europa decadente, surge uma profunda dor individual que se manifesta nos mais vulgares vícios e fetiches. Apesar de ter gostado d’O Grande Gatsby, considero Terna é a Noite, um romance bastante superior, seja pela técnica narrativa (mais complexa), pelas personagens mais interessantes (ao contrário de Daisy, Nicole é uma mulher verdadeiramente fascinante) e pela prosa que é mais poética ou, talvez, lírica.


A história de Dick Diver seduz, mas também destrói. As palavras de Fitzgerald tocam e embalam o leitor que, distraidamente, dá por si numa Europa fervilhante e entusiasmada com o fim de um período tão tenebroso, ingenuamente crente num futuro diferente do passado.

Sinopse:

Rosemary Hoyt, jovem estrela de cinema americana, vai de férias com a mãe para a Riviera francesa, onde conhece o casal Dick e Nicole Diver, dois exemplares de graciosidade e sofisticação que circulam com glamour no meio de pessoas extraordinárias. Rosemary entra nesse mundo e a sua admiração pelos Divers transforma-se em algo mais íntimo. Mas Nicole tem um segredo.

Terna É a Noite foi o filho favorito de Scott Fitzgerald, ao qual dedicou vários anos da sua vida; por essa razão, e por ser um romance (semi)autobiográfico em que as personagens do livro e as personagens da vida real se misturam e se confundem, é um romance que se torna «sempre melhor e melhor.», sendo «o melhor dos seus livros», diz-nos Ernest Hemingway.

Romance psicológico com um toque de suspense, precisamos de ir descobrindo as várias camadas para chegarmos aos seus significados mais profundos.

Na amena costa da Riviera Francesa, a meio caminho entre Marselha e a fronteira italiana, ergue-se um imenso e altivo hotel cor-de-rosa.

Já leram? Curiosos?

Boas Leituras!

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