A Genialidade d’Os Irmãos Karamázov de Fiódor Dostoiévski

Um romance único suscetível de mudar completamente o mais incauto dos leitores.

Ano da primeira publicação: 1879

Rating: 5/5

Os Irmãos Karamazov é um dos livros mais grandiosos que eu já li. E não digo isto de ânimo leve porque já li, de facto, livros enormes. Nenhum tão existencialista quanto os Irmãos Karamazov, mas com reflexões igualmente intrigantes. Muitos o consideraram uma das melhores obras literárias de sempre como foi o caso de Einstein, Camus ou Freud, o que eu consigo compreender.

O romance de Dostoiévski vai muito além do enredo que se propõe a a desenvolver misturando filosofia, teologia, psicologia e história num livro que, acima de tudo, procura explicar o Homem. Como ponto de partida, surge a família Karamazov constituída por um pai e três filhos, todos diferentes, mas unidos por uma certa fama de devassidão que radica, claramente, na libertinagem do patriarca. Um dia, os irmãos Karamazov são confrontados com a morte do pai e este evento que se avizinha, muito cedo na narrativa, acaba por ser a apóteose de uma história que se pauta pelo seu ritmo lento e foco na construção de personagens e complexidades das suas interações mais triviais. O leitor depara-se, frequentemente, com subenredos que se vão criando como se de uma teia de tratasse. Tudo porque o foco não é, como já referi, a história trágica da família Karamazov, per si, mas, sim, a forma como o homem, representado nas suas personagens, se relaciona com ele mesmo, com o outro,a mortalidade e essa figura tão conhecida e tão enigmática que é Deus. Todas as grandes questões existenciais são abordadas por Dostoiévski num estranho e brilhante exercício de profetizaçao.

Moralidade e depravação andam sempre de mãos juntas assim como redenção e castigo, Deus e ateísmo, ética e culpa e justiça e equidade. Dostoyevski traz para a mesa problemas sociais que não são, de todo, característicos apenas da Rússia do século XIX. Até que ponto conseguimos combater a influência de uma estrutura social e familiar destrutiva. A insanidade e o sofrimento surgem como condições pré-existentes das quais nenhuma das personagens parece escapar. Há um certo determinismo na forma como todos os eventos se vão desenrolando.

Ao longo de mais de 600 páginas (na minha edição), o leitor vai acompanhando e identificando-se com cada uma das personagens, até com as que odeia porque há muito de si, nas mesmas. Já referi que é um livro, existencialista, certo?

Não, não é um livro fácil. São centenas de páginas de literatura russa publicadas em 1869. Frases longas, reflexões profundas e uma atmosfera infausta que nos deixa, muitas vezes, com uma sensação de angústia. É também um livro belíssimo porque nos mostra que não estamos sozinhos nesta coisa tão desconcertante que é a vida. Não sei o que mais hei de dizer porque Os Irmãos Karamazov é daquelas experiências que só são perfeitamente apreendidas quando vividas.

Não há palavras que me valham.

Sinopse:

A maior obra da História.
Sigmund Freud

Os Irmãos Karamázov foi um dos últimos livros escritos por Dostoiévski e é uma das suas obras-primas. Considerado por muitos um romance filosófico, nesta apaixonante história o autor explora as questões existenciais da fé religiosa e da dúvida, do livre-arbítrio e da moralidade.

Com a família Karamázov, através dos seus dramas, mistérios e triângulos amorosos, Dostoiévski retrata a Rússia do século XIX naquela que foi a idade de ouro e um ponto de viragem trágico na cultura russa.

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Boas Leituras!

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