A Noiva do Tradutor, talvez o romance mais cáustico de João Reis

Um qualquer quotidiano pelos olhos de um protagonista à beira de um ataque de nervos. Hilariante.

Ano da primeira publicação: 2015

Rating: 4/5

O tradutor está impaciente, destroçado, carregado de material interno corrosivo. A noiva partiu, a gerente da pensão onde vive é uma coscuvilheira sovina, o editor não lhe paga o que deve, chove e o elétrico é conduzido por um facínora. Tudo na vida do tradutor é trágico. O mínimo incidente, como a perda de um chapéu, pode se transformar num evento, pelo menos na cabeça do tradutor. A sua falta de sorte é, de facto, tremenda. Mas ainda bem porque, de outra forma, o leitor não seria brindado com um romance tão cáustico quanto hilariante. Desde as vívidas descrições do absurdo do seu quotidiano às suas percepções da realidade, o tradutor de João Reis é um regozijo, especialmente, nestes tempos de domínio do politicamente correto.

A Noiva do Tradutor é daqueles livros mordazes que exigem inteligência do leitor. A ironia é utilizada como instrumento de crítica de uma sociedade suja, mesquinha e ridícula. Não há heróis nem enganos. O enredo é cru e mostra logo ao que vem “se considerarmos não ter sido o acaso o causador do acidente, teremos de responsabilizar guarda-freio, esse miserável não travou antecipadamente, esse sorna, depravado, fosse ele o vendedor de bilhetes e roubaria aos cegos, sem o mínimo pudor”. Tendo este sido o primeiro romance de João Reis, é seguro dizer que foi uma estreia gloriosa. O seu domínio da linguagem é notável, assim como a sua capacidade de criar comédia a partir do ordinário e, ainda mais, manter o interesse do leitor naquilo que parece ser o devaneio de um louco.

Classificar A Noiva do Tradutor como uma comédia é redutor. Isto porque o romance do João Reis tem objetivos mais profundos do que o de simplesmente fazer rir. O mesmo é, na verdade, uma incisiva e peculiar visão sobre as idiossincrasias que nos tornam, tantas vezes, uma espécie detestável. Simultaneamente, é o retrato de um homem claramente depressivo à beira de um colapso nervoso. Por isso, há muito mais do que gargalhadas n’A Noiva do Tradutor, daí que todos o devam ler.

Sobre o livro:

“«Uma voz literária contracorrente.»
Visão

Destroçado com a partida da sua noiva, um jovem tradutor entra num elétrico a caminho de casa. À sua volta, pessoas que são o retrato de uma cidade — e de uma vida — que ele abomina: mesquinha, cruel, injusta e, de algum modo, ridícula.

Sozinho, confuso e sem chapéu, apercebe-se de que chegou o derradeiro momento de encontrar uma saída, algo que o afaste para sempre de editores ardilosos, inquilinos bizarros, da senhoria e dos seus insuportáveis guisados — custe o que custar.

Irónico, mordaz e impetuoso, “A Noiva do Tradutor” é um testamento implacável de uma sociedade que, embora aparentemente distante, encontra o reflexo perfeito nos dias de hoje.

«Um humor sarcástico e subtil que se vê pouco na literatura lusa.»
Público”

Queres ler este livro? Podes comprá-lo aqui, e ajudar a página a crescer, ou requisitar numa biblioteca perto de ti.

Boas Leituras!

Daniela

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s