The Draining Lake de Arnaldur Indridason: Crime e Intriga na Guerra Fria

@portasetenta

Um policial sólido que cativa e envolve. Não arrebata, mas serve bem o seu propósito que, claramente, vai além do mero entretenimento.

Ano da primeira publicação: 2005

Rating: 3.5/5

The Draining Lake foi uma completa surpresa para mim. Não conhecia o Autor, nem fazia ideia sobre o que seria a narrativa. O único dado que tinha era de que se tratava de um policial nordic noir.

Quem por aqui me acompanha, sabe que esse é um dos meus géneros literários favoritos pelo que não foi preciso muito para me convencer a ler o policial de Indridason, Autor islandês, com relativo sucesso, que tem posto o seu nome no mundo com o seu protagonista, o detetive Erlendur. Consigo perceber porquê. Erlendur é, de facto, uma personagem interessantíssima. Um polícia de meia idade com uma relação conturbada com os filhos, que abandonou quando ainda eram crianças de fraldas, uma relação amorosa desastrosa e uma tendência para a autodestruição que, invariavelmente, contamina todos à sua volta. Erlendur é um daqueles fulanos que basta ver o olhar para saber que dali não vem mais nada do que chatices, mas é um detective talentoso (não são todos?).

Reykjavik, capital da Islândia, enfrenta uma seca há várias semanas. A falta de água leva a que seja descoberto um esqueleto com vários anos num lago nos arredores da cidade. Preso ao mesmo surge um intercomunicador russo dos tempos da guerra fria. Erlendur e a sua equipa assumem a investigação e encontram todo o tipo de dificuldades. Desde o ano do homicídio às implicações que o mesmo pode ter nas relações estabelecidas entre a Islandia, a Alemanha Oriental a Rússia, durante a guerra fria, vários são os segredos em causa e ninguém está com vontade de falar sobre o passado.

Arnaldur Indridason é um óptimo escritor. A narrativa de The Draining Lake é estruturada, tem personagens credíveis e capta a nossa atenção. Há momentos de suspense e uma intriga cativante que assenta numa sólida investigação do Autor sobre o papel político da Islândia, durante a Guerra Fria. Não se trata aqui de uma história superficial. Pelo contrário, há um claro interesso do Autor em falar ao leitor sobre a vida na Alemanha dividida pelo muro e sobre a forma como o socialismo era apregoado junto da comunidade estudantil. O que está aqui em causa é o confronto entre idealismo e realidade e conseguir trazer esta riqueza histórica para um policial sem o desvirtuar é digno de nota. Só um Autor experiente o consguiria fazer e isso é evidente para o leitor. No entanto, faltou a The Draining Lake um clímax. As personagens estavam lá, os eventos conduziam a isso e os diálogos davam voz a tensões que culminariam num grand finale que não aconteceu. E por isso The Draining Lake leva o rótulo do “livro que tinha tudo para ser, mas não foi”. Ainda assim, é um policial que merece ser lido porque, como disse, vai além do óbvio, juntando elementos típicos de outros géneros como História, espionagem, intriga internacional, política, etc.

Sem dúvida que fico com o Indridasson debaixo de olho para futuras leituras.

Sobre o livro:

“In the wake of an earthquake, the water level of an Icelandic lake drops suddenly, revealing the skeleton of a man half-buried in its sandy bed. It is clear immediately that it has been there for many years. There is a large hole in the skull. Yet more mysteriously, a heavy communication device is attached to it.”

Queres ler este livro? Podes comprá-lo aqui, e ajudar a página a crescer, ou requisitar numa biblioteca perto de ti.

Boas Leituras!

Daniela

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